A fusão entre Paramount Skydance e Warner Bros. Discovery superou um de seus grandes obstáculos. Porém, o sinal verde não veio acompanhado de liberdade total para David Ellison reorganizar os dois grupos como quiser.
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Muito pelo contrário.
O acordo firmado com uma coalizão de 12 procuradores-gerais estaduais dos Estados Unidos, liderada pela Califórnia, estabelece uma série de obrigações para a empresa resultante da operação. Além disso, essas condições deverão permanecer em vigor durante os próximos cinco anos.
O documento ainda depende de aprovação judicial. Portanto, a Justiça também poderá cobrar o cumprimento das obrigações previstas no acordo.
As regras atingem diretamente a Warner Bros., a Paramount Pictures, os lançamentos nos cinemas e os tradicionais terrenos dos dois estúdios na Califórnia. Além disso, o documento estabelece condições envolvendo a Miramax, canais de televisão e até a independência editorial da CNN e da CBS News.
Na prática, a história não termina com a aprovação da fusão.
Agora começa uma espécie de período de cinco anos sob vigilância.
Warner Bros. e Paramount continuarão existindo separadamente

Um dos pontos mais importantes para Hollywood envolve o destino dos dois estúdios cinematográficos.
Antes mesmo do acordo, David Ellison já havia prometido manter Warner Bros. e Paramount operando separadamente após a conclusão da aquisição. Com isso, o grupo pretende preservar as duas estruturas criativas e ampliar a quantidade de filmes produzidos.
Além disso, o novo acordo cria uma proteção concreta para seus históricos estúdios físicos na Califórnia.
A companhia deverá manter tanto o lote da Paramount Studios, em Los Angeles, quanto o da Warner Bros., em Burbank. Durante o período previsto pelo acordo, a empresa também não poderá vender ou fechar essas instalações.
Essa condição ganha importância porque a possibilidade de mudanças nas operações dos estúdios na Califórnia entrou na discussão durante a batalha pela aquisição.
Assim, o novo compromisso protege os dois endereços históricos de Hollywood durante o período estabelecido pelo acordo.
A nova empresa terá uma meta gigantesca de filmes

Talvez a obrigação mais interessante para quem acompanha cinema esteja justamente na quantidade de produções.
Durante os dois primeiros anos, Paramount e Warner deverão lançar conjuntamente pelo menos 30 filmes por ano nos cinemas.
Depois disso, a exigência aumenta.
Nos três anos seguintes, o número mínimo sobe para 32 filmes por ano.
Portanto, basta fazer a conta.
Serão pelo menos 156 lançamentos cinematográficos em cinco anos.
Entretanto, a companhia não poderá simplesmente preencher essa quantidade com dezenas de produções pequenas.
O acordo também estabelece como parte desses filmes deverá chegar ao público.
Blockbusters, grandes lançamentos e cinema independente entram na conta
Nos primeiros dois anos, pelo menos 20 dos 30 filmes anuais deverão receber lançamento amplo nos cinemas.
Posteriormente, quando a obrigação subir para 32 produções, pelo menos 21 filmes por ano precisarão entrar nessa categoria.
Nesse caso, o acordo considera lançamento amplo aquele que alcança pelo menos 2 mil telas.
Além disso, existe uma exigência específica para as grandes produções.
Pelo menos 20% dos filmes anuais deverão entrar na categoria de “tentpoles”. Nesse contexto, o acordo considera produções com orçamento de pelo menos US$ 50 milhões, com ajustes posteriores pela inflação.
Portanto, existe uma diferença importante: não são 20 blockbusters por ano.
Na realidade, o acordo exige 20 lançamentos amplos nos primeiros anos e, separadamente, determina que pelo menos 20% da produção anual seja composta por grandes projetos.
Ao mesmo tempo, o cinema independente também ganhou uma proteção própria.
A companhia deverá lançar pelo menos quatro filmes independentes por ano durante os cinco anos.
Além disso, o grupo deverá manter um fundo destinado à aquisição de filmes independentes. A empresa contribuirá com US$ 5 milhões por ano, chegando a US$ 25 milhões ao final do período.
Metade dos filmes deverá envolver outras empresas
Outra cláusula chama atenção justamente pelo tamanho que a nova companhia terá.
Pelo menos 50% dos filmes deverão envolver produção ou coprodução com outras empresas.
Dessa maneira, o acordo busca impedir que todo o volume de produção fique concentrado exclusivamente dentro da estrutura formada por Paramount e Warner.
Ou seja, mesmo reunindo dois gigantes sob o mesmo controlador, a companhia continuará trabalhando com outras empresas em pelo menos metade da produção prevista.
E se a Paramount simplesmente não cumprir?

Aí a brincadeira fica cara.
Caso a empresa deixe de atingir determinadas metas anuais de filmes, poderá enfrentar pagamentos de US$ 30 milhões por produção faltante, conforme as condições estabelecidas no acordo.
Parte desses recursos seguirá para fundos ligados à saúde e aposentadoria de trabalhadores da indústria cinematográfica. Além disso, outros valores poderão beneficiar organizações relacionadas ao setor e à fiscalização antitruste.
Contudo, existe uma consequência potencialmente muito maior.
Se a companhia descumprir determinadas obrigações cinematográficas e não corrigir a situação dentro do prazo previsto, poderá ter que vender sua participação na Miramax.
Portanto, as metas não representam apenas promessas feitas por executivos.
Existe patrimônio colocado em jogo caso a companhia não cumpra determinadas condições.
Mais US$ 1,5 bilhão em produção nos Estados Unidos

O acordo também tenta responder a outra preocupação de Hollywood: a transferência de produções para outros países em busca de custos menores e incentivos fiscais.
Durante os próximos cinco anos, a companhia deverá gastar pelo menos US$ 300 milhões adicionais por ano em produção cinematográfica nos Estados Unidos, usando os gastos de 2025 como referência.
No total, portanto, o compromisso representa pelo menos US$ 1,5 bilhão adicionais em produção doméstica durante o período.
Além disso, a empresa deverá respeitar os acordos coletivos de trabalho existentes.
Outro fundo, no valor de US$ 47,5 milhões, financiará treinamento e desenvolvimento profissional de trabalhadores afetados pela fusão ao longo dos cinco anos.
Assim, o acordo tenta proteger não apenas a quantidade de produções, mas também parte da estrutura profissional que sustenta a indústria.
Paramount e Warner não poderão negociar seus canais como um único pacote
A televisão também recebeu uma proteção importante.
Embora Paramount e Warner passem a integrar o mesmo conglomerado, a companhia terá que negociar separadamente a distribuição dos canais básicos de cada grupo durante cinco anos.
Na prática, o grupo de canais da Paramount continuará negociando de um lado. Enquanto isso, os canais provenientes da Warner Bros. Discovery ficarão em outro bloco.
Além disso, o acordo limita o compartilhamento de informações confidenciais entre essas negociações.
Com isso, os estados procuram preservar parte da competição que existia antes da operação. Ao mesmo tempo, a regra dificulta o uso do enorme catálogo conjunto como uma única ferramenta de pressão nas negociações com operadoras.
Novamente, o acordo prevê consequências em caso de descumprimento.
Dependendo da violação, a empresa poderá ter que se desfazer de determinados canais. Entre os ativos mencionados estão canais ligados à BET, além de VH1, Comedy Central, Smithsonian Channel, Destination America e Science Channel.
CNN e CBS News terão um conselho de independência editorial

Talvez uma das condições mais sensíveis envolva justamente o jornalismo.
A operação colocará CNN e CBS News dentro do mesmo conglomerado.
Por esse motivo, a nova companhia deverá criar um News Editorial Independence Board, ou Conselho de Independência Editorial de Notícias.
Esse conselho estabelecerá princípios editoriais e jornalísticos para as operações de notícias da companhia.
Segundo as autoridades da Califórnia, a estrutura busca preservar a independência e os padrões jornalísticos da CNN e da CBS News.
Portanto, a cláusula vai além de simplesmente manter as duas operações funcionando. O acordo cria uma estrutura específica de supervisão relacionada à independência editorial.
Até a Pluto TV entrou no acordo

E tem mais uma condição curiosa.
A Pluto TV deverá continuar funcionando como serviço gratuito durante o período previsto.
Além disso, a companhia deverá preservar determinados níveis de serviço e qualidade da plataforma.
Portanto, transformar a Pluto TV em um serviço exclusivamente pago durante esse período entraria em conflito com os compromissos assumidos no acordo.
E quem vai fiscalizar tudo isso?

As obrigações não ficarão apenas nas mãos da própria companhia.
O acordo estabelece mecanismos específicos para acompanhar seu cumprimento.
Entre eles estão um monitor interno de conformidade e um administrador independente de monitoramento. Além disso, um comitê formado por cinco estados acompanhará as condições estabelecidas.
A Justiça também continuará envolvida no processo.
Consequentemente, os próximos cinco anos terão acompanhamento externo sobre questões que vão desde a quantidade de filmes lançados até determinadas negociações envolvendo canais de televisão.
A fusão avançou, mas a nova gigante ganhou uma longa lista de deveres
Esse talvez seja o ponto que tenha ficado escondido diante do impacto da notícia inicial.
Paramount e Warner Bros. poderão ficar sob o mesmo controle caso todas as etapas necessárias sejam concluídas.
Entretanto, isso não significa simplesmente juntar dois dos maiores estúdios de Hollywood e começar a eliminar estruturas consideradas duplicadas.
Durante cinco anos, a nova companhia terá que cumprir metas de produção e preservar os dois históricos lotes de Hollywood. Além disso, deverá manter espaço para filmes independentes, trabalhar com outras produtoras e ampliar investimentos em produções realizadas nos Estados Unidos.
Ao mesmo tempo, terá que negociar separadamente determinados canais, preservar mecanismos de independência editorial para CNN e CBS News e manter a Pluto TV gratuita.
Por fim, algumas dessas obrigações possuem consequências bastante concretas.
Descumprir determinadas metas cinematográficas pode custar US$ 30 milhões por filme e, em certas circunstâncias, colocar até a participação na Miramax em jogo.
Portanto, a operação cria uma das maiores companhias de entretenimento do mundo.
Mas, pelo menos durante seus primeiros cinco anos, essa gigante terá uma lista bastante extensa de regras para obedecer.
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Lucas Algebaile
Eu sou outra pessoa....eu sou outra coisa.....mas não sou o Arqueiro Verde.....Que pena!

