O novo capítulo do DC Universe está finalmente chegando, e diferente do que muitos pensaram, depois de uma nova representação do Homem de Aço não temos Batman, Mulher Maravilha ou logo uma Liga da Justiça sem apresentar ninguém (cof cof… Snyder), mas sim, temos a primeira aventura oficial de Kara Zor-El, a Supergirl!
Agora a pergunta que fica é… esse segundo capítulo oficial do DCU consegue trazer o gás que o universo precisa? A Super Hero Brasil já assistiu o filme e vou te contar tudo que você precisa saber agora!
A filha de Krypton
O longa é dirigido por Craig Gillespie (Eu, Tonya e Cruella), confesso que ao ver o repertório do diretor fiquei um pouco com o pé atrás… afinal esse seria o primeiro projeto do DCU não comandado por James Gunn e temos um nome que não combina diretamente com o tema “filmes de herói”, mas sinceramente, isso as vezes é exatamente o que o filme precisa O histórico do direto com filmes protagonizados por mulheres fortes é um bom inicio, já que temos de fato uma protagonista feminina muito forte e muito famosa para amantes de quadrinhos.
A premissa do filme já está bem settada os trailers divulgados – aqui, temos a jornada de Kara Zor-El, a Supergirl, indo atrás dos de Krem (Matthias Schoenaerts), líder dos Bandoleiros, depois que o mesmo envenenou seu cachorrinho, o já conhecido Krypto, em busca de uma cura. Sim, a história do filme é simples assim, mas a história pessoal da nossa protagonista é o que acaba tendo o destaque e assumindo um pouco de trama principal do filme.
Em paralelo a essa busca pelo vilão, o filme foca na busca pelo “pertencimento” e a superação do luto, já que Kara ainda sofre muito com a perda de seu planeta natal e tem uma dificuldade tremenda de encotrar um novo lugar para chamar de lar, já que diferente de seu primo Clark, ela viveu o que restou de Krypton e sofre com sua perda até hoje.
De todo o drama e tentativas de te emocionar do filme, o conflito interno da Supergirl é, de longe, o ponto mais alto do filme. Milly Alcock já havia se provado uma boa atriz na série House of the Dragon, e aqui, novamente com o papel principal, com o pouco que tem (e eu já explico isso), ela consegue entregar o drama da personagem e além de nos fazer conectar com essa jornada interna dela, deixa a personagem bem settada para o futuro no universo DC de James Gunn.

Guardiões da Galáxia Vol.5?
Não dá pra negar… apesar de eu até gostar do filme do Superman, essa receita de bolo do James Gunn tá começando a cansar um pouco. ‘Um grupo disfuncional precisa se unir para enfrentar uma ameaça maior, tudo isso com muita piada e rock dos anos 80 de fundo’…. de que filme estou falando?
Essa receita de fato gerou três excelentes filmes com os Guardiões da Galáxia, mas quando vemos o mesmo padrão se repetindo em Pacificador, Esquadrão Suicida e até mesmo em Superman a situação começa a ficar preocupante. Esse era o meu maior medo quando entrei na sala do cinema… mas não é o que acontece aqui. A direção pode não ser de Gunn, mas ele é o cabeça principal deste universo inteiro, e apesar do filme escapar dessa receita de bolo dele, alguns elementos ainda estão lá.
Teremos cenas com um rock bacana tocando de fundo, as piadinhas ácidas a todo momento sim… mas aqui o diretor faz de um jeito que tenta dizer “olha, to fazendo o que deu certo mas to tentanto mudar tá?”, e esse meu medo acabou não tomando conta durante o filme. Porém, o mesmo não pode ser dito daquela “receita do filme de herói da sessão da tarde” que você já viu incontáveis vezes.
Sim, Supergirl é um filme divertido, mas tem uma história rasa, personagens secundários que não engajam e um vilão que, ao sair da cadeira no cinema você já esqueceu, de tão sem sal e esquecível que é – É só mais um cara malvado que desperdiça 259 oportunidades de matar o herói pra falar uma frase “assustadora”. Além do já mencionado arco pessoal da Supergirl, em momento nenhum você sente um temor pelos personagens ou senso de urgência com a “main quest” de salvar o Krypto, porque você sabe que o problema vai ser resolvido no final. Afinal, já vimos essa história antes.
Pra mim fica muito claro que o diretor quis jogar no seguro e acabou ficando no seguro até demais. Parece um filme de herói que você viu outras dez vezes, só que com personagens diferentes. Ele é sim um filme divertido, mas hoje em dia só isso basta? Em um mês com tantos lançamentos e um ingresso tão caro, será que é o suficiente para levar as pessoas ao cinema?

Personagens secundários e Jason Momoa
Em questão de personagens secundários, não temos muitos. Ruthye (Eve Ridley) a garotinha que acompanha nossa protagonista durante a jornada é o típico sidekick irritante, que está na trama para atrapalhar o protagonista e ser salvo não uma, não duas, mas incontáveis vezes durante a trama. Ela é responsável por um dos pontos de virada da Supergirl na história, mas de verdade? Não vale ter que aguentar essa personagem sem sal ao longo de 2 horas só por causa disso.
Aqui sinceramente não sei se é alguma limitação da atriz, que não consegue nos entregar algo que faça o público se importar com a personagem, ou culpa do diretor que não conseguiu espremer algo ou direcionar a trama para um lado que funcionasse um pouco melhor… talvez as duas coisas?

AGORA chegamos no que você está esperando…. E O LOBO?
O Lobo (Jason Momoa) é exatamente aquilo que você está esperando, é o Jason Momoa sendo ele mesmo, MAS ISSO FUNCIONA. É evidente que estamos presenciando mais um daqueles casos que o ator nasceu para o personagem, e apesar de parecer que o famoso anti-ferói tá meio jogado na trama para fazer aquela participação especial, ele é tão bom e tão divertido que engaja e no final de tudo funciona.
É claro, estamos falando de um filme PG-13, então se você está esperando o banho de sangue, palavrões e tudo que acompanha o Lobo nas suas histórias em quadrinhos, já abaixa um pouco a expectativa. Mesmo sem isso, ele consegue apresentar o cara muito bem e mostrar o tom desse personagem que – com toda certeza – vai ganhar um projeto +16 futuramente que vai ter tudo que a gente tá esperando. Parecido com o Justiceiro de Jon Bernthal em Homem-Aranha agora.

Mas e ai… Vale a pena?
Supergirl é um filme divertido, que consegue prender a atenção e nos fazer importar com a personagem que pode ser um pouco “desconhecida” do novo público geral devido suas poucas aparições em projetos ao longo dos anos.
É um filme divertido… mas é só isso. Não é um filme com profundidade, com personagens secundários memoráveis (exceto o Lobo), um vilão marcante… nada, é um filme divertido que cumpre o papel de apresentar a personagem que detém o titulo. Se isso vai ser o suficiente pro filme arrasar na bilheteria? Sinceramente não sei, mas se você tá procurando um filme simples pra dar umas risadas e pra aproveitar um diazinho no cinema, é uma boa pedida.
Supergirl é dirigido por Craig Gillespie e chega aos cinemas no dia 25 de Junho.