Ator britânico morreu em sua casa, em Los Angeles, e deixa uma trajetória marcada por personagens inesquecíveis no cinema, no teatro e na dublagem.
Tim Curry morreu aos 80 anos. A informação foi confirmada por Marcia Hurwitz, empresária e amiga de longa data do ator. Ele faleceu de forma tranquila em sua casa, em Los Angeles, na terça-feira (25).
A causa da morte não foi divulgada. Nos últimos anos, Curry enfrentava problemas de saúde após sofrer um AVC em 2012. Ainda assim, continuou participando de projetos e encontros com fãs.
A notícia encerra uma carreira de quase seis décadas. Nesse período, Tim Curry atravessou o cinema, a televisão, o teatro e a dublagem. Além disso, construiu personagens que se tornaram parte definitiva da cultura pop.
Tim Curry transformou Rocky Horror em fenômeno cultural
Curry alcançou fama mundial como o extravagante Dr. Frank-N-Furter em The Rocky Horror Picture Show. Antes do filme de 1975, ele já havia interpretado o personagem na montagem teatral original de The Rocky Horror Show, em Londres.
A produção não se tornou um sucesso imediato nos cinemas. Entretanto, ganhou uma segunda vida nas sessões da meia-noite. Com o tempo, fãs passaram a frequentar as exibições fantasiados, repetir falas e interagir com o filme.
Assim nasceu um dos maiores fenômenos cult da história do cinema. No centro de tudo estava Tim Curry, com uma atuação ousada, divertida e impossível de copiar.
Durante anos, o ator manteve uma relação complicada com a fama trazida pelo papel. Posteriormente, porém, passou a reconhecer o impacto da obra e sua importância para diferentes gerações, sobretudo para o público LGBTQIA+.

Do terror de Pennywise ao vilão de A Lenda
Embora Frank-N-Furter tenha definido parte de sua imagem, Tim Curry nunca ficou preso a apenas um personagem.
Em 1990, ele assustou uma geração inteira como Pennywise na minissérie It: Uma Obra-Prima do Medo, baseada no livro de Stephen King. Sua interpretação combinava humor, crueldade e uma ameaça constante por trás do sorriso do palhaço.
Cinco anos antes, Curry havia passado por uma transformação ainda mais impressionante em A Lenda, fantasia dirigida por Ridley Scott. Com enormes chifres, pele vermelha e maquiagem pesada, ele interpretou o Senhor das Trevas.
O ator também brilhou como Wadsworth na comédia de mistério Os Sete Suspeitos. Em Esqueceram de Mim 2: Perdido em Nova York, viveu o desconfiado funcionário do Hotel Plaza que tenta descobrir o segredo de Kevin McCallister.
Sua filmografia ainda inclui produções como Annie, Os Três Mosqueteiros, A Sombra, Muppet: A Ilha do Tesouro, As Panteras e Todo Mundo em Pânico 2.

Uma voz presente em várias gerações
Tim Curry também construiu uma carreira extensa como dublador. Sua voz grave e teatral combinava especialmente com vilões e personagens excêntricos.
Ele participou de animações como Peter Pan e os Piratas, trabalho pelo qual recebeu um Daytime Emmy em 1991. Além disso, emprestou sua voz a produções de Sonic, A Máscara e Star Wars: The Clone Wars.
Essa versatilidade permitiu que Curry chegasse a diferentes públicos. Alguns o conheceram nos musicais, outros nos filmes de terror e muitos descobriram seu trabalho por meio das animações.

O teatro nunca deixou de ser sua casa
Antes do cinema, Tim Curry iniciou sua trajetória profissional nos palcos. Ele participou da montagem londrina de Hair em 1968 e, posteriormente, assumiu papéis importantes em produções dos dois lados do Atlântico.
Na Broadway, recebeu três indicações ao Tony. A primeira veio por sua interpretação de Mozart em Amadeus. Depois, foi novamente indicado por My Favorite Year e por seu trabalho como Rei Arthur no musical Monty Python’s Spamalot.
Sua presença de palco, a voz marcante e a capacidade de equilibrar elegância, ameaça e humor fizeram dele um artista difícil de enquadrar — e ainda mais difícil de substituir.

Ator continuou próximo do público após o AVC
O AVC sofrido em 2012 afetou sua mobilidade e obrigou o ator a reduzir o ritmo de trabalho. Curry passou a utilizar cadeira de rodas, mas continuou fazendo aparições públicas e participando de projetos selecionados.
Em 2024, retornou ao cinema no terror Stream. No ano seguinte, publicou Vagabond, livro de memórias no qual revisitou sua vida e sua extensa carreira.
Após a confirmação da morte, artistas como Carol Burnett, Michael McKean e Luke Evans prestaram homenagens. Burnett recordou o amigo como alguém capaz de interpretar vilões adoráveis como ninguém. Já Evans afirmou que existirá apenas um Tim Curry.

Um artista que tornava qualquer personagem inesquecível
Tim Curry não precisava ser o protagonista para dominar uma cena. Bastavam a voz, o sorriso e aquele olhar que parecia esconder uma nova travessura — ou uma ameaça.
Ele podia ser um cientista extravagante, um palhaço aterrorizante, uma criatura demoníaca, um mordomo cercado por suspeitos ou um funcionário de hotel excessivamente desconfiado. Em todos esses casos, porém, o ator encontrava uma maneira de transformar o papel em algo exclusivamente seu.
Tim Curry deixa uma obra que continuará sendo descoberta por novas gerações. O tempo pode seguir avançando, mas seus personagens permanecerão conosco — fazendo o público rir, cantar e, às vezes, evitar bueiros por precaução.
Fontes: Reuters, Associated Press e The Guardian.
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Lucas Algebaile
Eu sou outra pessoa....eu sou outra coisa.....mas não sou o Arqueiro Verde.....Que pena!