Enquanto Marvel e DC enfrentam invasões alienígenas, multiversos e ameaças capazes de destruir o planeta, um super-herói brasileiro enfrenta um problema bem mais próximo da nossa realidade:
Nesta matéria
ele está desempregado.
Overman, adaptação do personagem criado por Laerte Coutinho, ganhou seu trailer oficial nesta quarta-feira (9). Estrelado por Caco Ciocler, o longa transforma a sátira dos quadrinhos em uma comédia sobre um super-herói em crise, sem dinheiro e tentando encontrar seu lugar no mundo.
E, aparentemente, nem ter superforça e saber voar garante estabilidade profissional no Brasil.
O filme chega aos cinemas brasileiros em 22 de outubro de 2026.
Quem é Overman?

Antes do filme, existe uma longa história nos quadrinhos.
Overman é uma criação da cartunista brasileira Laerte Coutinho e nasceu justamente como uma brincadeira com os grandes arquétipos dos super-heróis.
O próprio nome já entrega parte da piada.
Se Superman é o “Super-Homem”, temos aqui o Overman.
Porém, as semelhanças com os grandes heróis tradicionais servem principalmente como matéria-prima para a sátira.
Em vez de apresentar um defensor perfeito da humanidade, Laerte colocou seu personagem diante de situações muito mais mundanas.
O fantástico e o cotidiano dividem o mesmo espaço.
Overman pode ter poderes extraordinários. Isso não significa, entretanto, que sua vida funcione.
É justamente esse contraste que torna o personagem perfeito para uma comédia brasileira sobre super-heróis.
Caco Ciocler vive um super-herói desempregado

No longa, Caco Ciocler interpreta Overman em um momento nada glorioso da carreira.
Ele possui superforça.
Ele consegue voar.
Mas também está desempregado, endividado e morando escondido em uma pensão.
É difícil pensar em uma apresentação mais brasileira para um super-herói.
O trailer deixa claro que o filme não pretende simplesmente reproduzir a fórmula das grandes produções americanas.
Aqui, ter poderes não resolve automaticamente os problemas da vida.
Overman precisa trabalhar.
Precisa pagar suas contas.
E, acima de tudo, precisa descobrir o que fazer com a própria existência.
Uma vaga aparece no serviço público

A situação começa a mudar quando surge uma oportunidade profissional bastante peculiar.
O Governador oferece a Overman um emprego na Secretaria de Segurança Pública.
Depois de enfrentar dificuldades financeiras, o herói finalmente encontra uma maneira de voltar à ativa.
Porém, existe um problema.
As coisas não são exatamente aquilo que parecem.
A partir desse novo emprego, Overman começa a perceber que existe algo estranho envolvendo justamente as pessoas responsáveis por colocá-lo novamente em ação.
Assim, aquilo que começa como uma oportunidade de reconstruir sua carreira pode se transformar em algo muito maior.
E talvez conseguir o emprego seja apenas o começo dos problemas.
Mulher-Cachorro também entra em ação

Overman não estará sozinho nessa história.
Entre os personagens que aparecem ao seu lado está Pâmela, a Mulher-Cachorro.
Sim.
Mulher-Cachorro.
E não vamos fingir que esse nome não é maravilhoso.
A personagem participa dessa nova fase da vida do protagonista e ajuda a reforçar o universo peculiar criado ao redor dele.
É justamente nesse ponto que a adaptação pode encontrar sua identidade.
Overman não precisa competir com Superman, Batman, Homem-Aranha ou qualquer outro blockbuster internacional.
Sua força está em fazer outra coisa.
Ele pode usar a linguagem dos super-heróis para brincar com situações extremamente brasileiras.
Uma sátira ao gênero dos super-heróis

Essa talvez seja a principal diferença entre Overman e boa parte das adaptações de quadrinhos que chegam aos cinemas.
A produção não tenta construir simplesmente “o nosso Superman”.
Ela utiliza justamente esse tipo de comparação como parte da piada.
Overman possui elementos facilmente reconhecíveis do gênero. Afinal, temos uniforme, poderes, identidade heroica e missões.
Porém, tudo passa pelo filtro da sátira.
O resultado é um personagem capaz de enfrentar grandes perigos enquanto precisa lidar com problemas absolutamente comuns.
É uma abordagem que acompanha o espírito do trabalho da própria Laerte.
O absurdo não existe separado da realidade.
Pelo contrário.
Ele normalmente serve para revelar como a própria realidade já pode ser bastante absurda.
Das tirinhas para as telas

Levar esse tipo de humor para o cinema representa um desafio interessante.
Uma tirinha consegue construir uma situação, apresentar uma ideia e entregar a piada em poucos quadros.
Um longa precisa sustentar personagens e conflitos durante muito mais tempo.
Por isso, a adaptação amplia o universo ao redor de Overman.
O filme coloca o protagonista diante de uma crise profissional e pessoal. Ao mesmo tempo, transforma sua tentativa de voltar à ativa no ponto de partida para uma trama maior.
Dessa forma, a produção consegue preservar a sátira enquanto constrói uma história pensada especificamente para o cinema.
O resultado poderá funcionar tanto para quem conhece o personagem quanto para quem nunca encontrou Overman nas páginas dos quadrinhos.
Quem está por trás do filme?
Overman tem direção de Tomás Portella.
O roteiro é assinado por Portella ao lado de Arnaldo Branco e Leandro Soares.
Além de Caco Ciocler no papel principal, o elenco reúne Otávio Müller, Karina Ramil, Victor Lamoglia, Maria Lucas, Marina Provenzzano, Caio Riscado, Isabele Riccart e Raphael Logam.
O longa possui aproximadamente 82 minutos de duração e passou pela Première Brasil: Midnight Movies do Festival do Rio.
Agora, a produção se prepara para alcançar um público maior com sua estreia comercial.
O Brasil tem espaço para seus próprios super-heróis
Existe ainda uma questão particularmente interessante para quem acompanha quadrinhos e adaptações.
Durante décadas, grande parte da nossa relação com super-heróis no cinema veio dos Estados Unidos.
Superman, Batman, Homem-Aranha, Vingadores e X-Men ajudaram a construir nossa própria percepção do gênero.
Porém, isso não significa que histórias brasileiras precisem simplesmente copiar essa fórmula.
Na verdade, Overman pode funcionar justamente porque faz o contrário.
O personagem pega elementos conhecidos do gênero e os coloca dentro de outra realidade.
Aqui, o problema não precisa começar com uma nave alienígena chegando ao planeta.
Pode começar com um boleto vencendo.
O herói não precisa ser recrutado para os Vingadores.
Talvez uma vaga na Secretaria de Segurança Pública já resolva.
E o grande conflito não precisa envolver o destino do multiverso.
Às vezes, sobreviver ao mês já é uma missão suficientemente complicada.
Laerte encontra o gênero dos super-heróis no cinema

Também existe algo especial em ver uma criação da Laerte Coutinho ganhar esse espaço.
A cartunista construiu uma carreira marcada pela capacidade de observar comportamentos, costumes e contradições da sociedade brasileira.
Overman leva essa característica diretamente para o universo dos super-heróis.
Por isso, reduzir o personagem a uma simples paródia de Superman seria perder boa parte da graça.
A capa, os poderes e até o nome podem brincar com os arquétipos tradicionais.
Porém, a verdadeira matéria-prima continua sendo o cotidiano.
E é justamente essa característica que pode diferenciar o filme em um cenário saturado por adaptações de quadrinhos.
Um super-herói brasileiro tentando sobreviver ao mundo real
O novo trailer apresenta uma produção que parece entender muito bem aquilo que possui nas mãos.
Overman não precisa disputar quem possui os melhores efeitos visuais ou quem consegue destruir mais prédios.
A proposta é outra.
Temos um sujeito extraordinário enfrentando problemas extremamente ordinários.
Um homem pode voar.
Pode ter superforça.
Pode enfrentar criminosos.
Mas aparentemente ainda precisa descobrir como pagar as contas no fim do mês.
E talvez essa seja uma das versões mais brasileiras possíveis de uma história de super-herói.
Overman estreia nos cinemas brasileiros em 22 de outubro de 2026.
Se até lá aparecer uma vaga para super-herói concursado, esperamos apenas que o edital aceite experiência anterior salvando o mundo. 😂
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Lucas Algebaile
Eu sou outra pessoa....eu sou outra coisa.....mas não sou o Arqueiro Verde.....Que pena!

