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quarta-feira, 16 de setembro de 2026
Games

Jogadores enfrentam Black Myth: Wukong sem tocar no controle — usando apenas o cérebro

Imagem da matéria: Jogadores enfrentam Black Myth: Wukong sem tocar no controle — usando apenas o cérebro

Imagine enfrentar os chefes de Black Myth: Wukong sem colocar as mãos em um controle, teclado ou mouse. O que parece uma tecnologia saída diretamente da ficção científica já está sendo testado na China — e mais de uma abordagem conseguiu transformar atividade cerebral em comandos dentro do jogo.

Nesta matéria

Uma das demonstrações utiliza uma interface cérebro-computador não invasiva, semelhante a um capacete equipado com sensores. Em outro experimento, ainda mais avançado, um jovem utilizou uma interface implantada diretamente no cérebro para jogar.

São tecnologias bastante diferentes. Porém, os dois casos apontam para o mesmo futuro: games que podem ser controlados através da atividade cerebral.

E Black Myth: Wukong, justamente um jogo conhecido pela exigência de seus combates, virou uma das vitrines dessa tecnologia.

Um “capacete” cerebral enfrentou Wukong

Imagem principal da matéria: Jogadores enfrentam Black Myth: Wukong sem tocar no controle — usando apenas o cérebro

Uma das demonstrações que chamou atenção aconteceu durante a World Artificial Intelligence Conference (WAIC) 2026, em Xangai.

Um jogador apareceu diante de Black Myth: Wukong utilizando uma interface cérebro-computador não invasiva. Em vez de implantes, o equipamento possui sensores capazes de captar sinais elétricos produzidos pelo cérebro através de EEG — eletroencefalografia.

Na prática, isso significa que não é necessário abrir o crânio ou implantar eletrodos no cérebro. O usuário coloca o equipamento sobre a cabeça e passa por um curto processo de calibração.

Segundo relatos sobre a demonstração, essa adaptação pode levar aproximadamente cinco minutos.

Depois disso, começa a parte que parece ficção científica.

Não, o equipamento não consegue ler seus pensamentos

Imagem 2 da matéria: Jogadores enfrentam Black Myth: Wukong sem tocar no controle — usando apenas o cérebro

Antes que alguém comece a esconder do capacete o histórico do navegador, calma. 😂

A tecnologia não consegue ouvir um pensamento como “vou usar um ataque pesado agora” e descobrir magicamente o que o jogador deseja fazer.

O sistema apresentado utiliza uma técnica conhecida como SSVEP — Steady-State Visual Evoked Potential.

Determinados elementos visuais piscam em frequências específicas. Quando o jogador concentra sua atenção em um deles, aquela estimulação provoca uma resposta elétrica característica no cérebro.

Os sensores captam essa atividade. O software identifica o padrão e o converte em um comando previamente definido.

Em termos simples:

o cérebro escolhe → o equipamento detecta → o computador interpreta → Wukong executa.

É muito diferente de telepatia, mas o resultado visual continua impressionante: alguém consegue comandar um videogame sem utilizar os métodos tradicionais de controle.

E ele conseguiu enfrentar um chefe

Imagem 3 da matéria: Jogadores enfrentam Black Myth: Wukong sem tocar no controle — usando apenas o cérebro

A demonstração não ficou restrita a simplesmente fazer o personagem andar pela tela.

O sistema permitiu executar diferentes ações dentro de Black Myth: Wukong, incluindo movimentação, ataques e esquivas.

E o teste avançou até um ponto particularmente interessante: uma batalha contra o Nobre de Branco (Whiteclad Noble), um dos primeiros confrontos que costumam testar seriamente os reflexos do jogador durante a campanha.

Considerando que Wukong exige precisão de movimentos, esquivas e gerenciamento do momento correto para atacar, utilizar justamente esse jogo como demonstração é bem mais significativo do que simplesmente controlar um personagem em um ambiente sem ameaças.

Mas essa não foi a única experiência chinesa envolvendo o game.

Pessoas com limitações motoras também testaram a tecnologia

É aqui que a história deixa de ser apenas uma curiosidade gamer.

Outro projeto realizado na China colocou uma interface cérebro-computador não invasiva nas mãos — ou melhor, na cabeça — de pessoas com limitações motoras associadas a doenças raras.

Após um curto período de adaptação, os participantes conseguiram utilizar sinais cerebrais para controlar ações dentro de Black Myth: Wukong.

Esse tipo de aplicação mostra uma das possibilidades mais importantes das interfaces cérebro-computador.

Para alguém que consegue utilizar normalmente um DualSense, mouse ou teclado, controlar um personagem dessa maneira pode parecer apenas uma demonstração tecnológica curiosa — e provavelmente ainda menos prática que apertar um botão.

Para uma pessoa que não consegue utilizar esses dispositivos devido a uma limitação motora, entretanto, a mesma tecnologia pode representar uma nova forma de acesso aos videogames.

E existe uma segunda abordagem ainda mais radical.

Outro jogador controlou Wukong com um implante cerebral

Imagem 4 da matéria: Jogadores enfrentam Black Myth: Wukong sem tocar no controle — usando apenas o cérebro

Em 2025, outro caso envolvendo Black Myth: Wukong ganhou repercussão internacional.

Dessa vez, não havia apenas sensores colocados sobre a cabeça.

Um jovem chinês de 19 anos, que tinha epilepsia, recebeu uma interface cérebro-computador conhecida como Beinao-1. O dispositivo utiliza eletrodos implantados para captar atividade neural e transformar determinados sinais em comandos para um computador.

Durante os testes, o participante conseguiu utilizar a interface para jogar diferentes games — entre eles, novamente, Black Myth: Wukong.

Aqui existe uma diferença fundamental.

O capacete demonstrado posteriormente é não invasivo: seus sensores permanecem fora do corpo.

A Beinao-1 depende de procedimento médico e eletrodos implantados, aproximando-se de outra categoria de interfaces cérebro-computador.

Portanto, embora vídeos e publicações nas redes possam juntar tudo sob a descrição “jogou Wukong com a mente”, estamos falando de tecnologias diferentes tentando resolver problemas semelhantes.

Da ficção científica para os videogames

Interfaces cérebro-computador não nasceram para substituir controles de videogame.

A pesquisa nessa área possui aplicações potencialmente muito mais importantes, especialmente em acessibilidade, comunicação e recuperação de autonomia para pessoas com limitações motoras.

Os games, porém, oferecem um ambiente extremamente interessante para testar essas tecnologias.

Um jogo exige respostas claras e mensuráveis: andar, atacar, desviar, selecionar uma opção ou reagir rapidamente a alguma coisa.

Se o sistema consegue transformar atividade neural nesses comandos de maneira confiável, fica fácil visualizar o resultado.

E colocar Black Myth: Wukong no meio da experiência torna a demonstração ainda mais chamativa.

O controle tradicional ainda não precisa ter medo

Imagem 5 da matéria: Jogadores enfrentam Black Myth: Wukong sem tocar no controle — usando apenas o cérebro

Apesar dos resultados impressionantes, ainda existe uma enorme distância entre essas demonstrações e substituir um controle convencional.

Interfaces não invasivas podem exigir concentração, calibração e estímulos visuais específicos. Já sistemas implantáveis envolvem questões médicas, segurança, durabilidade e riscos que obviamente tornam qualquer comparação com um controle de videogame inadequada.

Mas talvez estejamos fazendo a pergunta errada.

A grande conquista não seria permitir que alguém que já consegue jogar normalmente abandone o controle.

Seria permitir que alguém que não consegue segurá-lo também possa jogar.

Hoje, estamos vendo pessoas enfrentarem Black Myth: Wukong através de sinais produzidos pelo cérebro.

Pode parecer apenas uma demonstração tecnológica impressionante.

Para alguns jogadores, entretanto, tecnologias assim podem representar algo muito maior:

a possibilidade de finalmente pegar um controle — sem precisar pegar controle algum.

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Lucas Algebaile

Eu sou outra pessoa....eu sou outra coisa.....mas não sou o Arqueiro Verde.....Que pena!

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